ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL DE NOTICIAS (Montes Claros/MG-Regional) PAG: 02
George Fernando Lucílio de Britto (*)
A agricultura apresentou, no passado, um papel secundário no desenvolvimento das nações do Primeiro Mundo, participando da economia apenas como geradora de capital e mão-de-obra. Com a necessidade de se tornar mais competitivo a partir do surgimento e do crescimento agressivo de outras atividades econômicas, o setor agrícola, para não ceder espaço e poder chegar a ser uma das bases de muitas economias no mundo, passou a adotar novas tecnologias de produção e a profissionalizar a administração.
A produção agrícola é considerada hoje no Brasil ou o centro de uma das atividades mais lucrativas e que mais rende divisas ao país: o Agronegócio. A agricultura movimenta setores que atuam a jusante e a montante da mesma. Como setores localizados a montante, ou antes da porteira da fazenda, cita-se a indústria de insumos (defensivos, fertilizantes, combustíveis, sementes, água, etc), de equipamentos (tratores, implementos, motores, bombas e tubos para irrigação, veículos etc) e todos os demais serviços que fazem disponíveis esses bens de produção. A jusante, ou depois da porteira da unidade produtiva, estão os setores que fazem com que a produção agrícola chegue até ao consumidor; estão localizados e operando nesta fase a agroindústria para o processamento, o armazenamento, o transporte e a comercialização. Nenhuma destas fases ou setores de montante e de jusante existiria sem o núcleo do agronegócio que é a produção agrícola propriamente dita. Nenhuma destas fases teria força se a produção agrícola não fosse representativa para a economia do país.
O agronegócio brasileiro movimenta cerca de 40% das riquezas geradas no país, ou seja, participa com aproximadamente R$ 480 bilhões de um Produto Interno Brito (PIB) avaliado em R$ 1,2 trilhão. Em termos comparativos, a indústria automobilística movimenta apenas 3,2% do PIB; a indústria química e petroquímica 4,6%; enquanto que o comércio tem sua participação restrita a 8,8% do que produz o país. Com estes números, vê-se o que o setor agrícola representa para a economia do país, e, conseqüentemente, a importância do produtor rural na geração de divisas para a nação.
Algumas características são peculiares ao setor agrícola, trazendo dificuldades para o desempenho do mesmo e distiguindo-o dos demais setores da economia. Trata-se de um setor altamente dependente do clima que limita e condiciona desde a escolha do que se vai produzir até o alcance da qualidade e da produtividade do produto final; é dependente de condições biológicas por lidar com organismos vivos como plantas e animais; depende ainda da terra como fator de produção, a qual não serve apenas de suporte para o estabelecimento da atividade produtiva, pelo contrário, tem participação efetiva no ciclo produtivo e precisa apresentar condições química, físicas, biológicas e topográficas satisfatórias. Os produtos agrícolas, em sua maioria perecíveis, demanda a utilização de técnicas específicas de conservação e de planejamento de produção e da distribuição com a finalidade de redução de perdas. A estacionalidade da produção que também é uma peculiaridade do setor, faz com que em determinadas épocas do aço ocorra falta o excesso de produto o mercado, provocando as oscilações de preços tão comuns no Brasil. A produção agrícola está exposta a constantes riscos, que assumem maiores proporções do que em outras atividades pelo fato de ser a agricultura afetada por problemas causados pelo clima (seca, geada, granizo, enchentes, etc), por ataque de pragas e doenças e, ainda, pela flutuação de preços – são os riscos climáticos, biológicos e econômicos.
Além disto, é característico do setor agrícola o trabalho disperso e ao ar livre, executado em locais distantes um dos outro no interior da propriedade rural, se revestindo também de aspectos negativos por estar sujeito ao frio, ao calor, à poeira, ao sol e às chuvas, induzindo a uma menor produtividade do trabalhador rural.
Mesmo com todas as dificuldades e pecularidades, a agricultura se deponha como a atividade econômica que mais cresce no país, chegando a ser considerada como a âncora verde do Plano Real, com uma significativa, participação na geração de divisas para o Brasil, como já descrito anteriormente. Imaginem se este setor recebesse do Governo uma maior atenção, maior apoio, mais subsídios para competir, mais créditos acessíveis, maior volume de pesquisas, mais oportunidades de mercado e, resumindo, tivesse o mesmo tratamento que a agricultura recebe dos governos dos países desenvolvidos. Com certeza este Brasil já seria outro e já há algum tempo.
Estes, dentre tantos outros, são alguns dos motivos que levam o agricultor brasileiro a ser merecedor do reconhecimento, da consideração e de elogios por parte de toda a população doa país, principalmente nesta data de 28 de julho, dedicada à comemoração do Dia do Agricultor. Por merecimento, salve o agricultor brasileiro!
(*) Presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Norte de Minas/
AGRO-NM e Gerente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas –
ABAS – Núcleo Norte de minas
(agro_nm@yahoo.com.br)