ARTIGO PUBLICADO NA GAZETA NORTE MINEIRA (Montes Claros/MG-Regional) PAG: 02
George Fernando Lucílio de Britto (*)
Dia 12 de outubro. Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Dias das crianças. Dia que se dedica no calendário para se comemorar também o dia do Engenheiro Agrônomo. Um profissional cuja participação no panorama da economia brasileira passou a ter uma importância fundamental diante dos relevantes resultados provenientes do campo e dos segmentos a ele ligados.
A profissão do Engenheiro Agrônomo passou por uma série de mudanças conceituais nos últimos tempos para acompanhar e se adaptar às exigências da realidade econômica do país. O profissional deixou de atuar somente como extensionista, ou administrador de fazenda, ou pesquisador, para ganhar seu espaço na amplitude que a profissão lhe permite. Para ocupar seu espaço em todos os segmentos do Agronegócio Nacional, ou no Complexo Agroindustrial Brasileiro.
Falar do Agronegócio parece essencial para retratar as profundas transformações verificadas na agricultura brasileira nas últimas décadas, período no qual o setor primário deixou de ser um mero provedor de alimentos “in-natura” e consumidor de seus próprios produtos, caracterizando aí o atraso da agricultura de subsistência, para ser uma atividade integrada aos setores industrial e de serviços. Deixando a fragilidade estampada pelas condições do pequeno produtor rural subjugado pelo sistema, para ostentar, em conjunto com outras atividades que complementam, uma posição de destaque na econômica da nação.
Em todas às fases do Agronegócio pode-se ver a presença do Engenheiro Agrônomo, com menor ou maior participação, mas sempre presente, contribuindo para que este seja um setor de relevância na economia nacional, por movimentar centenas de bilhões de dólares por ano. Dados do IBGE mostram que o Complexo Agroindustrial Brasileiro movimentou em 1998 um valor de US$ 282 bilhões, correspondendo a nada menos do que 35% do Produto Interno Bruto Nacional, que naquele ano atingiu US$ 805 bilhões. É neste contexto que emprega 37,1% do pessoal ocupado no País, que opera o profissional da agronomia e, aliadas a ele, estão outras tantas profissões exigidas pelo complexo.
Mas não é apenas na busca do resultado econômico que o profissional da Agronomia atual. Muitas vezes lhe são impostas incumbências no sentido de viabilizar sistemas de exploração agrícola considerados falidos por alguns e que são praticados pelo pequeno produtor rural que convive com as incertezas e as mais diferentes dificuldades; como por exemplo, mesmo com todo o aparato de tecnologia disponível e toda a assistência técnica que lhe é prestada, falta-lhe o recurso financeiro, falta-lhe a instrução – pois são na maioria analfabetos -, falta-lhe qualidade no produto final, falta-lhe produção de escala para se manter no mercado, falta-lhe organização social e produtiva; falta também a água para aqueles que não têm o privilégio de estar no interior de um perímetro de irrigação nos moldes do Gorutuba e do Jaíba, ficando à mercê das chuvas e sujeitos à inclemência do sol das secas. Entretanto, se em situações precárias como esta descrita, o profissional da Agronomia consegue fazer com que haja uma exploração de subsistência, gerando ocupação para o produtor e sua família, pode-se considerar este resultado como uma grande conquista ou uma vitória. Na atual realidade do país, em que a agricultura e a pecuária comerciais estão altamente profissionalizadas, não é justo que conclusões preconceituosas discriminem aquele sistema quase falido do pequeno produtor. Não é preciso evocar teorias socialistas para enxergar que aquele sistema gera pouco resultado econômico, não gera emprego além dos familiares, não gera excedente exportável e quase nem contribui para o incremento do PIB; mas, é um dos principais responsáveis para se manter o homem no campo, evitando o êxodo rural, reduzindo alguns dos grandes problemas socais que se instalam na periferia dos centros urbanos; e mais ainda, contribuindo para que a taxa de desemprego do país não avance tanto além das atuais 17,3%.
setor rural, alvo principal das ações do Engenheiro Agrônomo, onde vivem atualmente apenas 18,8% da população brasileira, convive com uma série de deficiências em termos de infra-estrutura para o desenvolvimento. São precárias na zona rural de grande parte do país, incluindo o norte de Minas, as condições de saúde, de educação, de transporte e, principalmente de abastecimento de água. E é também neste aspecto de gerenciamento da água que a classe Agronômica tem prestado a sua contribuição. Principalmente, neste momento em que se instala aqui uma representação da Agência Nacional de Águas.
A exemplo da escassez de água, da deficiência da infra-estrutura produtiva da região, da exploração de subsistência do pequeno produtor rural contracenando com os resultados reais e promissores do Complexo Agroindustrial, poderiam ser feitas ainda aqui outras considerações oportunas sobre assuntos bem atuais e nos quais a presença do profissional da Agronomia parece indispensável. Como exemplo, a questão da reforma agrária, cuja permissividade do Governo Federal deixa que o movimento dos sem terra transforme um assunto de extremo interesse nacional em baderna com propósitos políticos partidários. A questão da produção de alimentos transgênicos ou organismos geneticamente modificados. A questão da preservação ambiental no desenvolvimento sustentável. A questão da educação no desenvolvimento rural e na produção agropecuária. A questão dos agrotóxicos, sua utilização e o destino final de suas embalagens. A questão do racionamento da energia elétrica que interfere diretamente no crescimento econômico do País, e tantos outros temas que dizem respeito à classe Agronômica e que sempre devem ser discutidos com a participação da sociedade regional.
Por tantos motivos e respeitando a fé e crenças religiosas, sem pretensões outras, mas também sem falsa modéstia, neste dia 12 de outubro, em meio ao tradicional foguetório do meio-dia, seria conveniente uma reflexão sobre a importância do profissional da Agronomia na qualidade de vida do cidadão brasileiro, em especial do cidadão norte-mineiro.
(*) Presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Norte de Minas/
AGRO-NM e Gerente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas –
ABAS – Núcleo Norte de Minas
(agro_nm@yahoo.com.br)