Como ser Sustentável no Mundo dos Descartáveis?
publicado em 04/10/2009

(*) Berilo Prates Maia Filho

Dentre os impactos gerados pela humanidade considero o esgotamento acelerado dos recursos naturais, a falta de planejamento para o crescimento das cidades e o fato das pessoas não agirem buscando o desenvolvimento sustentável, como sendo os principais impactos que precisam ser mudados em cada um de nós. É nas cidades que o consumo dos recursos naturais acontece de forma acelerada, basta verificar a saúde de nossas florestas, as condições dos oceanos no mundo, o que vem acontecendo com nossa atmosfera, sem falar na qualidade e volume de nossos recursos hídricos. Se pararmos por apenas alguns minutos para refletirmos sobre isso poderemos observar que todos nós precisamos ser fortemente alterados e não a natureza.

E isto vale para todas as pessoas que moram em algum tipo de aglomeração urbana, seja para os que vivem em uma grande metrópole ou aqueles que moram em uma pequena comunidade rural.
Temos que começar a pensar de maneira sustentável. Já que estamos vivendo um dos maiores dilemas da humanidade, temos que aproveitar o momento para virarmos este jogo. Muitos sabem que esta forma de consumo imposta a nós, deixa qualquer um maluco. Como preservar o meio ambiente se tudo o que vamos consumir vem dentro de algum tipo de embalagem e que acabará na natureza? Só tem um jeito para começarmos a reverter essa situação, temos que tirar o foco dos problemas que estamos causando e começar a pensar na sua solução.
Se nossas florestas estão ficando com a saúde prejudicada, vamos começar a consumir madeira de florestas plantadas. Alguns vão dizer, mas não temos florestas suficientes para o abastecimento de nossas siderúrgicas, então como vamos fazer se todos passarem a optar por madeira de florestas plantadas? Simples, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, cerca de 200 milhões de hectares são ocupados com pastagem hoje no Brasil, sendo que, desse total, entre 50 e 60 milhões de hectares estão degradados e poderiam ser usados para incrementar estas áreas de florestas. Isto seria suficiente para abastecer nosso parque siderúrgico, assim como nossas cidades.
Quando se fala em planejar o crescimento das cidades as pessoas sempre tem tendências de pensar no sistema viário, nas fachadas dos prédios, na acessibilidade para os deficientes físicos, na drenagem urbana, dentre outras necessidades. É claro que todas estas questões são de extrema importância, mas os governantes esquecem de incluir em seus planos itens que acham que só se aplicam a zona rural, tais como: os programas de hortas comunitárias orgânicas (alimento e fitoterápicos), valorização das feiras livres, revitalização ou criação de mercados de hortifruti, melhorias do local de distribuição de alimentos e um programa de arborização urbana.
Programas assim são voltados para políticas públicas que traz o verdadeiro progresso da qualidade de vida, melhorando a alimentação e gerando renda para a classe de baixa renda, além, é claro, de melhorar a oferta de alimentos com qualidade, para todos. Sem contar que a arborização urbana bem planejada melhora a função paisagística e proporciona à população proteção contra ventos, diminuição da poluição sonora, absorção de parte dos raios solares, sombreamento, atração e ambientação de pássaros, absorção da poluição atmosférica, neutralizando os seus efeitos na população, valorização da propriedade pela beleza cênica, higienização mental e reorientação do vento, conforme o artigo “A importância da floresta para o meio ambiente” nesta mesma sessão. Vale a pena ler!
Uma solução para reduzirmos o impacto negativo que o plástico vem causando a esta geração é se começarmos a minimizar o seu uso em nosso dia-a-dia. Se vamos à padaria e cada produto que compramos já vem embalado em um saco de papel, qual a verdadeira necessidade de colocarmos todas estas embalagens dentro de sacolas plásticas? Não é por puro comodismo ou até mesmo “costume” que colocamos tudo na sacolinha? Se quisermos temos como levar nosso pão e leite sem necessitar de usar uma sacola. O que mais se fala hoje são nas sacolas ecológicas, lembram? Porque então não ter uma destas em casa!
Mas por falar em sacolas plásticas, o que fazer com o saquinho do leite? Eu, por exemplo, estou fazendo mudas para plantar em uma propriedade rural da família. Mas, os próprios laticínios poderiam lançar a campanha, “leite de saquinho retornável”. Como seria isso? Cada pessoa que trouxesse um saquinho de leite vazio e lavado, e é importante que se reforce o lavado, teria um desconto de R$0,10 (dez centavos) no litro de leite daquela marca. Isto poderia representar uma economia de 5,7 a 6,45% no litro de leite, dependendo da marca. Este mesmo saquinho seria recolhido pelo laticínio que iria fazer mudas ou mesmo repassa-los para viveiros instalados na região. A dimensão deste saco plástico (14 x 22 cm) é a mesma indicada para o plantio de mudas florestais, sem contar que sua espessura lhe confere grande resistência. O seu similar, no mercado de sacos plásticos para plantio de mudas, custa entre R$23,00 e R$38,00/milheiro. Se fizermos as contas, parece que compensa comprar saquinho, porém o que estaremos fazendo é buscando a solução do problema, ou seja, os saquinhos de leite podem ser usados para plantar as florestas, em áreas degradadas, que iram abastecer as cidades, proporcionar economia para os consumidores de leite, aumentar a renda dos laticínios com a venda das mudas ou sacos plásticos e promover o reuso do material descartável, fazendo aumentar o desgaste natural e para que seja melhor aproveitado. Observem que isso faz o ciclo se fechar. Além disto, estaremos contribuindo para melhorar nossa atmosfera, pois estaremos fixando o CO2, que é considerado o grande vilão do aquecimento global.

Tem aqueles que acham isso muito difícil de fazer, porém, se tivermos interesse, conseguiremos. Raciocinar buscando soluções sustentáveis para nossas ações requer de cada um de nós maior disciplina. Mas nada que seja impossível de alcançarmos, basta lembrarmos sempre que temos que pensar globalmente, agindo localmente.

 

(*) Engenheiro Agrônomo - 2º Tesoureiro - AGRO NM




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