A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), recém-eleita presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), defendeu hoje (20) a criação de um fundo para garantir a a próxima safra.
Ela disse que já conversou com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e com diretores do Banco do Brasil, que se mostraram de acordo com a idéia.
A nova presidente da CNA disse, no entanto, que o formato do fundo ainda deve ser avaliado por um grupo de trabalho. Ela espera que o fundo seja lançado até março do próximo ano.
“Os recursos têm que vir do Tesouro Nacional. O objetivo é diminuir o risco dos produtores e estabelecer uma política de garantia de renda”, afirmou.
Para discutir a melhor forma de viabilizar esse “pacto”, a senadora disse que também serão chamadas a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag). Ela garantiu que será feita uma proposta factível. “Não queremos aproveitar a crise para pedir mais. Será uma proposta factível, porque a solução tem que vir desse pacto.”
Segundo Kátia Abreu, a informação dada a ela pelas tradings, empresas que ajudam a financiar a safra por meio da compra antecipada, é que apenas 20% da contração de crédito para a a safra foi gerada pela atual crise financeira mundial. O restante, 80%, tem causas antigas, de problemas ocorridos em safras passadas que aumentaram o risco da agricultura brasileira.
A senadora comparou a política agrícola brasileira com a de outros países, que oferecem preços baixos aos consumidores, mas também dão a contrapartida, garantindo renda ao produtor. “A ajuda aqui é apenas em momentos de crise, de alto stress. Só no Brasil o produtor tem obrigação de produzir alimento barato sem receber nada em troca [do governo].”
Ela também criticou a carga tributária que incide sobre os alimentos. De acordo com Kátia Abreu, enquanto a média dos Estados Unidos é de 5% e a da Europa, de 7%, no Brasil, a taxa é de 16,4%, com alguns produtos sendo tributados em até 40%.
G1